quinta-feira, agosto 21, 2008

uma ao conversa do fim da tarde lembrou-me de...

... e eu quero brincar às escondidas contigo e mostra-te a roupa que comprei dizer que gosto dos teus sapatos e sentar-me nos degraus enquanto tu tomas banho e massajar o teu pescoço e beijar-te os pés e segurar na tua mão e ir comer uma refeição num sítio especial para ti e não me importar se tu comes a minha comida e encontrar-me contigo e falar sobre o dia e passar à maquina as tuas cartas e carregar as tuas caixas e rir da tua paranóia e dar-te cassetes que tu não ouves e ver filmes óptimos, ver filmes horríveis e queixar-me da rádio e tirar-te fotografias a dormir e levantar-me para te ir buscar café, torradas e folhados e ir beber café à meia-noite e tu a roubares-me os cigarros e nunca conseguir achar sequer um fósforo e falar-te sobre o programa de televisão que vi na noite anterior e levar-te ao oftalmologista (mesmo que tu não precises) e não rir das tuas piadas e querer-te de manhã mas deixar-te dormir um bocado e beijar-te as costas e tocar na tua pele e dizer quanto gosto do teu cabelo dos teus
olhos dos teus lábios do teu pescoço dos teus peitos do teu rabo do teu
... e sentar-me nos degraus a fumar até tu chegares a casa e preocupar-me quando estás atrasado e ficar surpreendida quando chegas cedo e dar-te girassois e ir à tua festa e dançar até ficar toda negra (mesmo que tu não dances nem um bocadito) e pedir desculpa quando estou errada e ficar feliz quando me desculpas e olhar para as tuas fotografias e desejar ter-te conhecido desde sempre e ouvir a tua voz no meu ouvido e sentir a tua pele na minha pele e ficar assustada quando estás zangado e um dos teus olhos vermelho e o outro... e o teu cabelo para a esquerda e o teu rosto para oriente e dizer-te que és
lindo e abraçar-te quando estás ansioso e amparar-te quando estás magoado e querer-te quando te cheiro e
ofender-te quando te toco e choramingar quando estou ao pé de ti e choramingar quando não estou e babar-me para
o teu peito e cobrir-te à noite e ficar fria quando me tiras o cobertor e quente quando não o fazes e derreter-me quando sorris e desintegrar-me quando te ris e não compreender por que é que pensas que eu te estou a deixar
quando eu não te estou a deixar e pensar como é que tu podes achar que eu alguma vez te podia deixar e pensar
em quem tu és mas aceitar-te na mesma e contar-te sobre a rapariga da floresta encantada de árvores anjo que voou por cima do oceano porque te amava e escrever-te poemas e pensar por que é que tu não acreditas em mim e
ter um sentimento tão profundo que para ele não existem palavras e atrasar-te na cama quando tens de ir e chorar como um bebé quando finalmente vais e comprar-te prendas que tu não queres e levá-las e
volta outra vez (...) e
vaguear pela cidade pensando que ela está vazia sem ti e querer aquilo que queres e achar que me estou a perder mas saber que estou segura contigo e contar-te o pior que há em mim e tentar dar-te o meu melhor porque não mereces menos e responder às tuas perguntas quando deveria não o fazer e dizer-te a verdade quando na verdade não o quero e tentar ser honesta porque sei que preferes assim e pensar que acabou tudo mas ficar agarrada a apenas mais dez minutos antes de me atirares para fora da tua vida e esquecer-me de quem eu sou e tentar chegar mais perto de ti porque é maravilhoso aprender a conhecer-te e vale bem o esforço e falar mau alemão contigo e pior ainda em hebreu ou noutra qualquer lingua e fazer amor contigo às três da manhã e de alguma maneira transmitir algum do esmagador, imortal, irresistível, incondicional, abrangente, preenchedor, desafiante,
contínuo e infindável amor que tenho por ti...


podia ter sido eu mas foi a sara kane que escreveu este texto (fiz as devidas adpatações porque afinal o blog é meu e certos pormenores eram excessivos), pois que a miúda era um pouco louca, muito deprimida e teve um final que eu não terei concerteza (suicidou-se) mas hoje apeteceu-me postar isto tal qual...

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