sábado, julho 17, 2010

matrícula...

há uns tempos havia um número muito comum em várias contas sempre que ia lanchar com a clau, foram dias e dias e semanas que se sucederam e o valor era ma maioria das vezes 4.75...
hoje numa das paragens no caminho entre a minha serra e a cidade, lá pela hora de almoço, uma hora de almoço de funcionário público que tem o azar de trabalhar ao sábado... não são muitos muito menos nos lados da serra... chamou-me a atenção a matricula 2275... coincidências ou simplesmente a minha parvoíce a funcionar :D

PS nesse pit-stop ofereceram-me uma garrafa de geropiga, pude provar mas como ia conduzir achei melhor não me alambazar mas foi tão difícil de qualquer maneira trouxe a garrafa e cuidarei de a abrir numa ocasião bem especial, por sugestão da ana mais para o outono quando começar a vir o frio a acompanhar uma castanhas :)

na serra...

só depois de lá estar é que percebo a falta e o equilíbrio que aquela paisagem me trás. tinham passado 3 anos depois da última vez em que prometi a mim mesmo que naquele verão voltava e não voltei...
a aldeia continua deserta, ainda não há rede de telemóvel, televisão não funciona, a estrada que me liga ao rio continua com curvas que só de tempos a tempos é cruzada por um motor de um carro. diferente desta vez foi ser eu a única habitante da aldeia, da casa que permanece igual, alguma ferrugem nos canos, nada que não se resolva, sem o avô, nem a avô, nem os tios, nem os primos... só eu, os meus pensamentos sobre as pessoas que desejava que partilhassem aquele espaço comigo que estão comigo sempre mesmo que seja no pensamento, os contos da montanha do miguel torga, as estrelas, as nuvens que ganham novas formas e eu a dar-lhes significados, o meu novo vício de me levantar cedo e ir andar, desci até à povoação mais próxima e voltei a subir, umas braçadas nas águas frias daquele rio, deixar o sol penetrar cada poro da minha pele, ler mais umas páginas e de repente o silêncio cortado por vozes de crianças estrangeiras, fui embora o meu sossego tinha acabado e não me apetecia socializar, nem com crianças (sue isto é bastante estranho! a partir de agora só socializo com a minhas, as do actual trabalho e as que virão um dia, a minha paciência para as crianças é infinita, mas naquela tarde não me apeteceu, estava egoísta). onde é que eu ia, já sei, a amora silvestre que estava madura que teve o azar de se cruzar comigo no meio da minha caminhada, dormir embalada pelo cantar da água que corria no leito lá em baixo bem no fundo do vale, ler no banco de xisto, não passar vivalma, acordar com os primeiros raios de sol com boa disposição... num silêncio só possível ali na serra... se estiver só eu e os meus pensamentos.

segunda-feira, julho 12, 2010

3º dia de férias oficial

serviu-me para colocar mais papelada em dia... já sou oficialmente moradora na minha junta de freguesia, nas próximas eleições já voto aqui, para isto só precisei de ir tratar do cartão único e foi rápido :D... tenho um papelinho a dizer que tenho o cadastro limpo para entregar na entidade empregadora eu não tinha dúvidas disso no entanto, tb foi rápido e era outra coisa que estava pendente... tenho cumpridos todos os meus deveres em relação ao estado e de momento é o próprio estado que me deve dinheiro :D
tudo coisas positivas gosto de ser uma cidadã cumpridora e se não o sou mais cedo é por falta de tempo (tudo isto consegui fazer em cerca de 3 horas não sabia é que conseguia fazê-lo tão rápido)... ou dificuldades na organização do mesmo!

relações assim dão outro significado à palavra casamento...

... fui celebrar a felicidade dos noivos, da família dos noivos, a nossa felicidade (amigos dos noivos e só estou a falar por mim) por ter tido o prazer de presenciar alguns momentos daquilo de forma resumida se chama amor...
mas deve ter sido bem mais que isso...
respeito... aposta... compreensão... dúvida... crescer em conjunto... troca de pontos de vista... partilha... ciúme... superar dificuldades... medo... cumplicidades...

e toda a cerimónia e comemoração parece ter espelhado isso mesmo...
... ansiedade inicial... sorrisos... descontracção... os vestidos que se desalinham... o cabelo que não está perfeito... lágrimas... conversas... pés apertados... dança... final do campeonato do mundo... copos partidos... uns pontinhos no vestido... abraços sentidos... algumas nódoas... gargalhadas... mudança de sapatos... sol (tvz um pouco excessivo vá, mas não podemos controlar as condições climatéricas é uma pena)... perder coisas... encontrá-las... fotos da praxe e tantas outras...

muito resumidamente conseguíssemos que fossem todos os dias das vida de cada um de nós assim um encadear de acontecimentos bons e algumas contrariedades mas que com alguma calma, descontracção e o apoio da família e dos amigos têm solução...

como dizia numa das músicas o casamento...
faz sentido "whem two" parece tornar-se "better than one"

parabéns aos 2 por terem encontrado esse equilíbrio

obrigada por me terem deixado fazer parte de mais um destes vossos momentos!!!

foi M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O


não tenho escrito aqui...

... e não é por falta de tempo... é mesmo porque não me apetece partilhar aqui certas coisas! sempre que penso "para o que eu havia de estar guardada!" remeto-me ao silêncio no blog, só porque a ideia é rir, passar alguma boa disposição mas, às vezes apesar de quase sempre conseguir ver o lado mais positivo da situação, fica difícil escrever sobre as coisas com algum sentido de humor. aqui as histórias são ficcionadas, mais ou menos próximas da realidade que vou construindo, observando, sentindo, interpretando... só me falta escrever no final de alguns posts "este post é pura ficção qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência?" como nas novelas, nos filmes e nas séries de TV.

quinta-feira, julho 08, 2010

os dias...

... não têm sido fáceis e não me estou a queixar... só mesmo a constatar!
de vez em quando tenho que me dizer "aguenta e não chora" e tenho conseguido umas vezes melhor e outras vezes pior mas a vida continua e eu não me posso dar ao luxo de não viver nem sequer por um segundo... um dia posso-me arrepender... não há botões para pôr o coração em stand by, seria tudo tão mais fácil... memory reset, change phone number, filter memory, undo, fast forward é uma pena mas não dá mesmo sou humana, não sou nem quero ser uma máquina programada para não sentir... lembrei-me agora do filme inteligência artificial, com o giríssimo jude law!
mas infelizmente a minha inteligência é emocional, como tudo o que está carregado de emoção se sente, às vezes, faz doer, mas aconchega, magoa mas dá momentos de felicidade, desorienta mas faz crescer!!!
disseram-me há alguns anos crescer doí e eu fui uma privilegiada?!? porque senti fisicamente as dores de crescimento lá pelos 10/12 anos à noite sentia umas dores horríveis nas articulações que só acalmavam esfregando com álcool a minha mãe fez a primeira vez e a partir daí coube-me a mim... a vida é simples nós é que teimamos em complicá-la.

terça-feira, julho 06, 2010

quem viu o macgiver consegue fazer qualquer coisa...

o vidro partiu ontem e hoje tudo está resolvido :)
foi simples, entre mim, o sr cardoso e as informações preciosas dos senhores cá do bairro ficou feito...
basta ter duas mãozinhas, recolher a informação necessária e isso não vai lá com a internet, tem mesmo que ser com a sabedoria popular, alguma inteligência, pouco medo de errar e ir buscar a reminiscências de já ter visto alguém a fazer alguma coisa de similar... os senhores que me deram as informações até chegaram a oferecer-se para assentar o vidro, mas achei que era melhor não, eu consigo... e consegui mesmo!!!
o grande problema que me colocaram foram os pregos era difícil pregá-los junto ao vidro e na realidade não tinha um martelo pequeno, mas foi só por-me ao caminho e arriscar, paguei a módica quantia de 5.60 e a senhora que me vendeu o vidro ainda me emprestou um, para facilitar a minha tarefa coloquei um papelinho entre o vidro e o prego, pareceu-me que podia ajudar :).
foram duas horas de roda das janelas já que o primeiro correu bem... porque não prevenir a queda do segundo ;)
a mão de obra foi inteiramente minha... se voltar a cair paciência, problema que vou ter que voltar a resolver, mas depois da primeira vez tudo fica mais fácil, a partir de agora é só apurar a técnica :D

segunda-feira, julho 05, 2010

entre o IRS e o vidro que partiu...

estava eu em atarefada a preencher a declaração quando subitamente ouço do fundo da casa... crash e pimbas lá foi o vidro da janela e não foi pela corrente de ar, foi mesmo porque tinha saltado toda a massa de vidreiro que este calor não perdoa e eu que não sou entendida nestas coisas, não percebi que havia ali qualquer coisa que não podia estar bem! ligar ao pai o que é que faço agora? compra um vidro, até aí eu conseguia discorrer e até já sei onde é o vidreiro aqui na zona, por isso amanhã lá vou mandar fazer o vidro... entretanto foi passar no sr cardoso e aprender as técnicas de colocação de vidros, massa de vidreiro que tem que ser amassada antes de colocar, olhe que a unhas, não interessa... com uma faquinha... um preguinho cuidado ao colocar tem que ser a direito, senão pode partir o vidro... no bordo do vidro tem que colocar um bocadinho de massa... e depois é encaixar o vidro e revestir com a massa de vidreiro... amanhã vou encomendar o vidro e depois é só coloca-lo :D
acho que vai correr bem e de bonús ainda poupo na mão de obra... o que não vale viver num bairro!!!

domingo, julho 04, 2010

tudo tão arrumadinho

o que eu sinto não ajo.
o que ajo não penso.
o que penso não sinto.
do que sei sou ignorante.
do que sinto não ignoro.
não me entendo
e ajo como se
me entendesse.
clarice lispector

esta senhora morreu no brasil, no ano em que eu nasci. tinha eu 7 meses e meio :D

encontrado nas minhas deambulações neste grupo do facebook

gosto de ti como és...

"Um dia, um rapaz acorda perto de uma praia de uma beleza incrível. Decide explorá-la e conhecer todas as pequenas coisas que a habitam. É assim que conhece um cacto falante, um mexilhão, uma alga e muitos outros seres que, neste conto, têm voz e personalidade próprias (às vezes até personalidades difíceis, temperamentais). O rapaz aprende a lidar com estes feitios diferentes e assim faz novos amigos. Porque o importante é aprender a gostar das coisas como elas são, mesmo que não sejam perfeitas."


andava eu em deambulações na internet à procura de livros, autores o que fosse, estava simplesmente à procura e surgiu esta sinopse!

não são só os portugueses que têm provérbios certeiros...

´Amar alguém profundamente dá-nos forças. Ser profundamente amado dá-nos a coragem´
Lao-Tzu




...

... dois dedos de conversa com uma amiga transformam o frio na barriga :D
mas, bonito, bonito era termos saído de casa para mergulhar na piscina mas estava lá tanta gente e a tua sala também é muito boa para se estar!

ontem o dia correu bem...

... e foi bem comprido 7.30/23.00, depois de dormir um bocadinho a correr, voltei a verificar que a hora de deitar e a hora de levantar só têm a ver uma com a outra se coincidirem :) e não é que apesar do cansaço acumulado foi bem tranquilo e deu para fazer tanta coisa no âmbito profissional/pessoal!
hoje vou inverter a ordem dos factores será um dia proveitoso no âmbito pessoal/profissional :D
para na segunda feira poder estar inteiramente dedicada às minhas coisas, vulgo arrumações! e olha que essas vão durar...
reparei agora a temática dos últimos tempos continua monótona, variações em dó, trabalho, casa, eu e as minhas questões, questõezinhas e questiúnculas, a sorte é que a língua portuguesa tem muitas palavras, tantas expressões, uma imensidão de vocábulos que todos os dias posso voltar e escrever sem as repetir... repito só a temática chata e monótona... vou deixar de escrever por uns tempos pelo menos aqui!!!

sexta-feira, julho 02, 2010

de josé saramago...

CARTA PARA JOSEFA, MINHA AVÓ



Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.

Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha.
Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.

Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, umas coisas que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.

Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.

É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.

quinta-feira, julho 01, 2010

o medo é fodido...

hoje dormi, acordei cedo, mas não fui andar, precisava fazer contas e ontem já não conseguia estar ali nem mais um minuto, 22.00 e tenho mesmo que ir...
é que depois de começar com a notícia de um acidente do autocarro onde seguia uma das funcionárias, ter que fazer contabilidade, uma faca na torradeira fazer um quadro ir abaixo mesmo no momento em que estava a mandar um mail... calma respira dá um estalo ao puto e chama-lhe nomes ou mostra-lhe a perigosidade da coisa com a maior calma possível
"menino faca na torradeira dá direito a seres electrocutado e isso não é coisa que tu vás achar piada, o quadro foi abaixo por causa do curto circuito senão quem ia abaixo eras tu, logo vai lá lanchar e a seguir podes ir correr um bocadinho, mas não podes andar de trotineta!"
"mas porquê? eu nunca tinha feito isto, nunca ninguém me tinha dito isso"
"mas vai ser como eu digo, és um miúdo inteligente, certo?"
"sim"
"e já tinhas ouvido dizerem a outro que isso não se pode fazer, certo? assim sendo a inteligência serve mesmo para isso, não é preciso seres tu o visado, aprendes não só com o que te dizem a ti mas também com o que se diz aos outros"
olha que o puto nem teve coragem de falar mais, gostei da atitude...
saí de casa, fui levantar dinheiro a pé, estava a precisar!
desta vez foi a minha mãe que telefonou para dizer que me tinha trazido "o meu" perfume de paris, afinal ela sempre ouve o que eu digo, mas tem grande dificuldade em concretizar... combinei ir com ela à terra dela e da minha avô... tenho saudades da serra, do rio e vão ser só 3 diazitos, incluindo o aniversário da minha guigas, a sobrinha mai linda da tia ;)
parece que também estava com saudades da minha mãe...

o medo é fodido... medo de falhar, de não corresponder ao que esperam de nós, medo de não ser suficientemente gostado, medo de te deixar ir embora, de não te voltar a ver, de não conseguir cumprir os prazos, de perder o emprego, de não ter tempo para o que gostamos, para quem gostamos... basicamente medo de não ser suficientemente bom, suficientemente gostado... e se me conheceres por inteiro vais deixar de gostar de mim???


o medo, desde que não paralise, que não corroa, que não nos faça esperar nem menos um bocadinho do que aquilo a que temos direito é um mal necessário e ainda serve de alerta, atenção esse não é o caminho... há que relativizar, confiar não nos outros em nós!!!

como transmitíamos no jovem a jovem, sou E.U. especial e único :D, como dizia aos meus putos no cacém, não tens que ser melhor nem pior tens que ser diferente, seres tu! e tu és melhor do que aquilo que me dizem de ti...
acho que com o tempo consegui aprender com o que tentei ensinar, só que às vezes esqueço-me :D