segunda-feira, maio 04, 2009

coimbra de matos




hoje lembrei-me de ir ao google e colocar o nome do próprio para ver se encontrava por lá o meu professor...
nada mais longe são 1880 entradas mas das que fui vendo nem uma só me transmitia o que ele conseguia naquelas tarde de quinta feira já distantes do meu 4º ano no anfiteatro da escola. tinha a figura de um homem do norte e ao mesmo tempo de avô, uma presença forte, fumava cigarro atrás de cigarro (na altura em que ainda era permitido), ensinava a contar histórias, as palavras eram carregadas de afectos, respondia às nossas dúvidas por mais ridículas que fossem, parando sempre um momento para pensar e a nossa dúvida ganhava espaço no seu pensamento, parecia ter a ambição que as suas palavras nos fizessem pensar pelas nossas cabeças, bebíamos as suas palavras, mesmo quando utilizava vernáculo para dar mais força à mensagem (imagem) que nos queria transmitir, utilizava o humor, repetia algumas histórias mudando o contexto pequenos pormenores e elas parecia-nos sempre novas (ou não). a sua presença impunha respeito, respeito pelo homem, pela idade, pela sabedoria, pela inteligência, pelo sentido de humor, pelo tempo que nos dispensava, pela arte com que usava as palavras, pelo afecto. dizia-nos que qualquer mestre sonha ser ultrapassado pelo seu aprendiz pois só assim terá cumprido a tarefa a que se propôs... e nós acreditávamos! dizia-nos no seu papel de professor que quem sabe faz, quem não sabe ensina, falava-nos dos congressos de psicanálise paredes meias com os congressos de cabeleireiras onde passava os coffee breaks, uma vez que nas situações sociais as cabeleireiras eram bem mais divertidas e sorria um sorriso de criança já marcado pelo tempo e dizia muitas outras coisas que guardo na memória mas que reservo por me sentir uma privilegiada por ter tido a oportunidade de partilhar com ele esses momentos.

um dia quando tempos mais tarde me cruzei com ele no corredor do consultório ganhei coragem e disse-lhe meio envergonhada gostei tanto que tivesse sido meu professor, ele agradeceu e sorriu!

1 comentário:

Anónimo disse...

O que eu aprendi com esse homem que também foi meu professor :) como compreendo o que dizes...
ser aluna dele é uma experiência que me vai ficar na memória para a vida...
bonito tópico ;)