sábado, julho 17, 2010

na serra...

só depois de lá estar é que percebo a falta e o equilíbrio que aquela paisagem me trás. tinham passado 3 anos depois da última vez em que prometi a mim mesmo que naquele verão voltava e não voltei...
a aldeia continua deserta, ainda não há rede de telemóvel, televisão não funciona, a estrada que me liga ao rio continua com curvas que só de tempos a tempos é cruzada por um motor de um carro. diferente desta vez foi ser eu a única habitante da aldeia, da casa que permanece igual, alguma ferrugem nos canos, nada que não se resolva, sem o avô, nem a avô, nem os tios, nem os primos... só eu, os meus pensamentos sobre as pessoas que desejava que partilhassem aquele espaço comigo que estão comigo sempre mesmo que seja no pensamento, os contos da montanha do miguel torga, as estrelas, as nuvens que ganham novas formas e eu a dar-lhes significados, o meu novo vício de me levantar cedo e ir andar, desci até à povoação mais próxima e voltei a subir, umas braçadas nas águas frias daquele rio, deixar o sol penetrar cada poro da minha pele, ler mais umas páginas e de repente o silêncio cortado por vozes de crianças estrangeiras, fui embora o meu sossego tinha acabado e não me apetecia socializar, nem com crianças (sue isto é bastante estranho! a partir de agora só socializo com a minhas, as do actual trabalho e as que virão um dia, a minha paciência para as crianças é infinita, mas naquela tarde não me apeteceu, estava egoísta). onde é que eu ia, já sei, a amora silvestre que estava madura que teve o azar de se cruzar comigo no meio da minha caminhada, dormir embalada pelo cantar da água que corria no leito lá em baixo bem no fundo do vale, ler no banco de xisto, não passar vivalma, acordar com os primeiros raios de sol com boa disposição... num silêncio só possível ali na serra... se estiver só eu e os meus pensamentos.

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