sábado, setembro 06, 2008

estórias de mundos que não o nosso...

há muito muito tempo, num pais que não vem no mapa que descobri por acaso, numa das minhas muitas viagens a países longínquos sem nunca tirar a cabeça da almofada, vivia um pescador, vamos chamar-lhe João e ao seu país o das flores. o seu tempo nunca chegava, dividia-se entre as lides da pesca, o seu viveiro, que há muito começara a construir do qual cuidava com desvelo e o sonho de um dia partir. o tempo nunca lhe chegava pela constante vontade de estar sempre noutro lugar e nunca naquele em que se encontrava. a sua vida era povoada de gente constante, e de outras gentes que, tal qual pirilampos, mostrava o seu brilho fugazmente... o pescador continuava sempre na sua ansiedade de procura... lá para as mesma bandas deambulava uma fadinha cor-de-laranja. a vida da fada era simples povoada de muitas alegrias e algumas tristeza como é normal na vida das fadas, pelo menos das que eu conheço. um dia enquanto descansava da sua lide laboral o olhar de João cruzou-se com o da fada e o coração dela estremeceu, a custo conseguiu disfarçar, se há coisas que as fadas fazem bem é disfarçar o que lhes vai lá dentro... a fada sorriu ao pescador e voou para longe,mas a partir desse dia voltava sempre ao mesmo lugar ansiando um novo olhar e outro e mais outro, pois o seu coração estremecia sempre, acho que cedo se apaixonou... guardou esse segredo para si, sabia-lhe as preocupações, sabia a complicação da vida de pescador, enleada nas redes que usava na sua arte. ficaram amigos. conversavam muito sobre ideias e sonhos e coisas muitas coisas. tempos mais tarde depois de muitas conversas a fada mentiu-lhe, disse-lhe que se algum dia se apaixonasse por ele voaria para longe para nunca mais se verem, embora há muito já estivesse apaixonada, mas... preferiu mentir-lhe. achou que era isso que o pescador queria ouvir e fez-lhe a vontade. depois passou muito muito tempo e o pescador tinha cada vez menos tempo para a fada laranjinha.... ela estava triste e disse-lhe que ia partir para longe, para sempre, de vez... só lhe pedia que se encontrassem uma última vez para ela lhe deixar um tesouro. partiu em busca dele... engendrou uma maquineta que lhe permitisse mandar no tempo, que o fizesse acelerar ou abrandar conforme fossem os desejos de João, depois quis dar-lhe o sol, a lua, as estrelas e planetas e assim que conseguiu reunir tudo guardou numa caixinha. para ela era fácil juntar um tesouro que significasse o pescador tudo lhe lembrava dele. a seguir quis oferecer-lhe o mar, mas como pudesse fazer falta ao demais, colheu apenas uma pequena parte e guardou junto de si. mais adiante ainda na praia reparou nas conchas de muitas cores arrecadando-as também. seguiu para a montanha e bem lá no alto tropeçou no mais lindo cristal que os seus olhos viram e recolheu-o também, já que era laranja tal como ela. o tesouro estava agora completo. a fada regressou ao sítio do primeiro encontro, feliz por antecipar o olhar do pescador no seu sorriso, mas ao mesmo tempo apreensiva porque muito tempo se tinha passado desde o último sorriso trocado, adivinhava as aventuras vividas pelo pescador e sobre as suas guardou silêncio. enquanto esperava adivinhava os sorrisos que se seguiriam, as conversas, as saudades e ansiava a reacção ao tesouro que tinha recolhido para lhe oferecer... perdida nestes pensamentos nem se apercebeu que dela se acercou uma velhinha, silenciosa, com olhar doce e sábio. perguntou-lhe que fazes aqui tão sozinha menina? espero pelo meu amigo João... mas logo lhe contou todos os pormenores da sua aventura em busca daquele tesouro mágico e cheio de significados. a velhinha, cujo tamanho da sua sabedoria era igual ao tamanho da sua idade multiplicado pelo tamanho da sua solidão disse-lhe com voz doce:
- menina, belo é o teu tesouro que tanto trabalho te deu a juntar, mas devias ter percebido que já ofereceste ao pescador o maior e mais belo tesouro que alguma vez poderás oferecer a alguém e ele recusou - o teu coração! parece-me que o teu esforço foi em vão... mas não te entristeças porque esta viagem fortaleceu-te e tornou-te ainda mais valioso o tesouro terás oportunidade de oferecer a outro alguém. um dia vais encontrar alguém que saiba reconhecer no brilho dos teus olhos, no significado das tuas palavras, no som do teu sorriso o valor do teu tesouro...
e a história já vai longa, assim sendo acaba aqui!!!

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