segunda-feira, junho 07, 2010

entre barcelona e lisboa, a música não tem pátria!




... ainda bem que consegui ir! foi difícil dado que o meu relógio biológico justamente quando mais precisei dele falhou e o despertador do telemóvel também... valeu-me a minha sandrinha que me obrigou a levantar e por-me ao caminho! o freud explicaria, mas foram cerca de 10 minpara me arranjar e seguir...
depois foi ver o descolar do cockpit e falar da velocidade do som, de altitudes, do concorde, para cortar a conversinha manhosa que o Homem do comando pretendia instalar. todos iguais quando acham que mandam... e voltar à executiva onde nos aguardava a restante comitiva!
à chegada nova experiência, ficar um bocadinho para trás para ver a movimentação do aeroporto e pedir informações sobre a melhor maneira de chegar ao centro que não de taxi, perguntar os preços para não ser enganada é que "de espanha nem bom vento nem bom casamento", sempre ouvi dizer (já vos disse que gostei da experiência de viajar só com a bagagem de mão) e depois de todos já terem as suas bagagens, fui interceptada por um jovem de farda que me pediu o passaporte, sorri, respondendo às questões colocadas, dizia que não era passaporte era bilhete de identidade, que não não era brasileira, lá porque estava de calça de ganga e de tenis com uma malinha colorida, não se pode chegar a barcelona com indumentária desportiva? (isto para explicar à sandra a razão daquele pit stop) enquanto procurava na mala o documento de identificação. teve sorte o senhor de não lhe ter espetado com a mala no colo para procurar melhor. mandou-me seguir!
a primeira tarde foi passada pelas ruas (barcelona tb deve ter um cacém e tem os mossos de esquadra que tentam afugentar só com a presença os achas que sabes dançar de rua, apesar dos turistas não lhes ligarem pevas, aos mossos, claro!), a fugir das lojas (são quase iguais às de lisboa), no tour de reconhecimento, no park guel, é mágico aquele parque, faz lembrar a gulbenkian, mas em maior e mais colorido, depois jantar animado e regressar a casa na melhor companhia, os meus pensamentos e eu, com o objectivo de acordar cedinho e explorar o tanto que há para conhecer ou revisitar em barcelona.
no dia seguinte visita ao ayuntamiento que se impôs no nosso caminho, gostei porque ainda por cima o benfas estava referenciado, tira foto de mim e da águia para mais tarde recordar, palau de la musica, já só havia visitas em castelhano logo escolhi a mais tardia para dar tempo de ir ao museu picasso... chegados ao museu resolvemos desistir, já que a fila era para lá de grande, foi só o tempo para ir à loja do museu em frente, o do design e comprar o postal que sintetiza todo o meus estado de espírito do momento. "I you". é mesmo só assim, cada vez que olho para o postal surgem-me palavras muito contraditórias. depois seguir para a exposição do dali, que era temporária e por não estar devidamente referenciada não tinha ninguém, foram uma duas horas bem passadas entre conversas, não já disse que como carne, uma cadeira de história de arte no curso de psicologia tinha sido tão útil, pena só ter percebido agora e mais fotos naquele mundo tão subjectivo e amigo das percepções e interpretações pessoais, almoçar, comprar recuerdos e perceber que se não negociares és enganado como qualquer turista, será que há asae em barcelona, se há, funciona muito mal... e correr para a visita ao palácio da música, já sózinha, que havia festa na praia e os companheiros de viagem não quiseram perder. ajudar o casal de brasileiros com problemas com a "hospitalidade" espanhola e perceber que o facto de me ter empurrado para a última visita do dia me permitiu fazer a melhor visita do fim de semana, assistir, ao ensaio geral do concerto que teria lugar nessa noite, mais do que ver o palácio da música, sentir a música na sala de concertos carregadinha da história catalã, foi maravilhoso! gosto dos catalães, são... muito pouco espanhois! depois era tempo de comprar recuerdos e a loja estava meio fechada para uns (os morenos) e meio aberta, para outros (os louros). agora penso, talvez isto se devesse à dificuldade que os espanhois têm em falar línguas que não o castelhano. e lá ganhei cerca de 10 minutos a reclamar da falta de profissionalismo espanhol, dirigi-me a quem de direito e quando indagada sobre que língua falava, referi o português ou o inglês pois que podiam escolher, podia tê-lo feito em castelhano mas para isso era necessário que houvesse gente humilde do outro lado, já vos disse que detesto espanhois e que cada vez mais gosto de festejar o 1 de dezembro, bendito seja esse dia no longínquo ano de 1640... olha que em 10 minutos tinha a loja aberta, eu e os 2 casais de brasileiros que queriam só comprar o livro do museu e que estavam envergonhados e sem perceber porque razão é que para eles a loja estava fechada... explicou-me a recepcionista que havia um problema com a caixa da loja, expliquei-lhe eu que se o problema era esse devia ter explicado o que se passava e não dizer simplesmente está cerrada, quando o horário afixado mostrava exactamente o contrário e as pessoas que se passeavam dentro da loja de porta semi aberta tb davam a entender a mesma coisa, basta por um papelinho na porta ou contratar alguém para estar atrás do balcão que saiba falar línguas, já que é uma loja cuja maioria dos clientes são por norma, vamos dizer... turistas que falam outras línguas, que não o castelhano... (nota: é difícil verem-me a reclamar, normalmente sou daquelas pessoas que me calo, viro as costas e nunca mais volto ao sítio, mas nesta fase da minha vida em que tenho tanta coisa por dizer, por falta de encontro de horários, que calei tanta coisa e que estou triste, reclamo quando tenho a certeza absoluta que tenho razão!)
voltei a casa e tudo dormia, voltei a sair para me perder nas ruas de barcelona, mais uma vez eu os meus pensamentos, e foi aí que penso ter percebido com mais clareza aquilo que TU ainda não me quiseste explicar. deixei o coração algures nem sei bem onde, porque não me disseste, mas está contigo, mas levei comigo a cabeça, às vezes, precisamos deste distanciamento físico, no sentido geográfico do termos, uma fronteira terrestre, para entender... e acho que está entendido! mas ainda gostava que me confirmasses pessoalmente... depois foi voltar a portugal e tentar confirmar o que senti na minha cabeça em barcelona... ainda não foi desta os nossos tempos se sincronizaram, cruzaram-se numa altura e a partir daí andam desencontrados... paciência, a vida é mesmo assim... regressei sózinha, eu e a minha música, com saudades de portugal, de lisboa, dos amigos, sempre me senti bem acompanhada com os meus pensamentos e com as pessoas que tenho segura dentro de mim sem precisar da sua presença física, elas existem algures no mundo e acompanham-me de perto... as pessoas a quem não preciso de explicar para me entenderem, que não precisam de dizer nada para eu as entender e se algum vez esse tipo de comunicação falha (e falha como é natural) então pergunta-se, conversa-se, desfazem-se os equívocos... é-se frontal. gosto de pessoas assim e todas as que fui encontrando, tomei para amigos, já não chegam os dedos de uma mão, mas se preciso for e se de facto for merecido tenho sempre a outra mão e os dedos dos pés... gosto de famílias grandes e a família amigos continua a construir-(m)se tal qual a sagrada família de gaudi!




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