domingo, junho 13, 2010

voltei, voltei...

e vim de taxi...
estava tudo a correr tão bem que tinha que haver algum imprevisto para alterar o funcionamento do dia de ontem...
arrancámos, no carro da minha mana que é a gasóleo logo mais económico, depois da sandrinha ter ido ao cabeleireiro do meu bairro para não perdermos mais tempo no caminho!
saimos eram 2 da tarde, e até à IP4 que segundo eu tinha visto era o caminho mais perto para vila real tudo correu bem, era só encontrar a saída que dizia... hum tinha-me esquecido mas era antes de vila real, assim bastava confirmar com as restantes mocitas que já tinham ido para cima e foi aí que o caso ficou mal parado eu sou moça para gostar de me guiar por mapas e perguntar ao transeunte como se vai ter não sei onde, elas são moças de GPS, eu sou moça para gostar de conduzir na serra, elas são moças para preferir a auto-estrada... logo eu sou moça para ir pela IP4 elas pela A24 e as saídas claro que não correspondem, depois de falar pelo telefone fomos andando até vila real à procura de uma saída que dissesse valdigem/armamar e nada, quando chegamos à entrada da A24, uma vez que já havia indicações a dizer mirandela e eu ia jurar que vila real nada tinha a ver com mirandela (a minha geografia de portugal é péssima) resolvemos telefonar e dissemos que estávamos no IP4 e se essa saída era antes ou depois de santa marta de penaguião/régua, responderam-nos que ficava entre lamego e régua, ora que eu ia jurar que não tinha visto nenhuma saída a dizer lamego, mas como podia estar distraída voltamos para trás, curvas e mais curvas e nada de chegar a lamego, daí a pouquinho estaríamos em amarante... encostamos num sítio com espaço que naquela estrada não é fácil de encontrar e voltamos a telefonar, estamos no IP4 e não encontramos nenhuma saída a dizer valdigem/armamar, nada, nadinha e respondem-nos é na A24 em direcção a viseu... viseu?!?!? mas qual viseu ainda ninguém me tinha falado de viseu, nessa estrada estavamos nós quando ligamos a primeira vez... respira fundo e encontra um sítio para inverter o sentido da marcha, estava tudo a correr tão bem e assim como quem não quer a coisa estivemos 1h às voltas na IP4... a paisagem é bem bonita mas nós queríamos era chegar à boda e vestir o traje de gala, mas antes às voltas na ip4 que na auto-estrada :D
mas claro que a lei de murphy actuou ao seu melhor nível e já na direcção certa, cada vez que carregava no acelerador o carro fazia um barulho esquisito, melhor ir mais devagar e não carregar no acelerador, quando chegarmos logo se vê...
chegámos e os noivos já tinham casado por isso foi mudar de roupa na casa de banho e ir tirar a foto da praxe para mais tarde recordar... e não querem lá ver que reconheci uma cara levemente familiar, o ajudante do fotografo era de santarém, irmão de um colega meu que faleceu quando éramos adolescentes... ok!
depois foram os cumprimentos aos noivos e os de ocasião, não conhecia assim tanta gente e sentar para jantar... a vista era fabulosa! lá para a meia noite começar a dançar e ao fim de 3 músicas tirar os sapatos que nem sei como aguentei durante 6 horinhas seguidas, estou crescida e trocá-los pela bela da havaiana!
com os convidados bem bebidos mas a manter a classe e eu com a certeza que não levava o carro uma vez que não queria arriscar que o carro ficasse a meio daquelas curvas vertiginosas mas tão boas de se fazer não fosse o carro de não saber de onde vinha o barulho esquisito, resolvi continuar a beber uma vez que nessa noite não conduzia... chegou a aguardada hora do bouquet e não querem lá ver que veio disparado e passou entre mim e a sandrinha e aterrou em cima da mesa, porque as duas estávamos distraídas, alguém com pressa de casar foi apanhá-lo e nós para não variar... rimos... entretanto as amigas quiseram ir embora e a noiva assegurou-me que não tinha que me preocupar dado que tinha lugar para mim e como iamos ficar no mesmo hotel não havia questão nenhuma e fiquei a dançar sem parar, ao pé da moças da despedida de solteira, foi muito divertido, porque no norte sabem fazer a festa e são atenciosos, hospitaleiros e divertidos, assim sendo ouvi os piropos da praxe... "és mesmo bonita, se eu não tivesse namorada não me escapavas" e eu sorria e dizia "confia em mim, escapava", "mas tens namorado?", disse umas vezes que sim outras que não, mas com aquele grau de sangue no álcool nem se apercebiam e não fez mal nenhum que outras características particulares das gentes que conheço do norte são a boa disposição e o respeito.
e a festa durou até o sol nascer e mais um bocadinho... na hora de ir embora, não havia chave do carro do noivo nem lugar para o casal recém casado e para mim... ora que não há problema o carro faz barulho mas vamos tentar chegar a lamego sem stress... e de facto não houve fomos devagarinho, felizmente tinha parado de beber umas 2 horas antes!
entre o carro e a cama foi um tirinho...
e às 10 fui acordada pelos raios de sol que passavam pela janela directos à minha cara, porque tinham aberto a cortina para ninguém acordar sobressaltado, (bolas, não era suposto lamego ser frio e chuvoso) mais um barulhinho de fundo das conversas das colegas/amigas e desisti fui tomar banho e o pequeno almoço depois de ter dito que queria dormir e depois tomava o pequeno almoço no café mais próximo.
a seguir lembrei-me que talvez para variar devesse resolver a questão do carro logo às 11 da manhã não fosse algo correr mal e enquanto procurava um café aberto para comprar tabaco (consegui porque perguntei a um senhor que estava à janela depois de já ter encontrado 2 encerrados ao domingo) lá falei com a senhora da assistência em viagem que para não variar foi uma ursa e veio o reboque, depois falei com o meu pai é sempre a ele que recorro nestas alturas... por coincidência o moço do reboque tinha parado ao pé do café para pedir indicações e ligar-me e assim sendo falei logo com ele... e ele disse pode ir comprar tabaco que me dava boleia até ao hotel... a caminho surpreendeu-me dizendo que era de lisboa, estranhei porque o sotaque fazia suspeitar que nunca tinha saído daquelas bandas, lá me explicou. pedi-lhe que visse o carro uma vez que queria seguir viagem no carrinho que tinha trazido para passar em casa do meu irmão e visitar a sobrinha linda e ele disse não tem problema o carro pode fazer a viagem, é só o rolamento mas vai ouvir o barulho o tempo todo o que é um pouco incomodativo, além que quando o carro aquecer será um pouco mais alto... optei por não o fazer... como muita pena minha e sem poder ligar ao pai outra vez para ele me dizer o que faria nesta situação dado que estava na missa!!!
claro que tirei tudo do carro, menos o porta-fatos e só dei por falta dele quando estava a arrumar as coisas no quarto, isto é passados 10 min, "nana, preciso da tua ajuda, podes ir comigo buscar o porta fatos aos senhor?" liguei ao senhor que me disse que o carro estava a 10 min e assim que chegasse à localidade não havia erro era dirigir-me à casa lilás :D e disse no caminho fui dizendo à nana que o senhor do reboque com tatuagem dos paraquedistas que tinha nascido em lisboa e com pronuncia do norte cerradissima, me tinha dito que não havia margem para erro assim que chegássemos veríamos a casa lilás, não valia a pena por o gps, mas ela insistiu e comentou que o senhor do reboque era surpreendentemente sensível, referir-se a uma casa como lilás era estranho numa pessoa com a descrição que eu tinha feito, eu estava certa que havia outra explicação e assim que avistámos a casa percebi que tinha razão o senhor era mesmo muito pragmático, não era sensibilidade!
eram 13 horas, estava resolvido só ficava a faltar ligar às queridas da assistência em viagem para mandar o taxi 1 hora antes de querer sair e a partida estava prevista para as 3 da tarde... lá fui dar um mergulhinho na piscina, aproveitar a vista pela qual me apaixonei, mandar um sms que para não variar muito não teve resposta (gostava tanto que tivesse tido é que a vista era mesmo bonita, mas a da serra da lousã, a da terra dos meus avós também é, embora com uma paisagem um pouco menos arrumadinha, mas naquele momento queria mais que tudo que a resposta tivesse vindo, não pela tanto pela vista) providencialmente veio o telefonema do meu pai.
acompanhei as meninas no almoço dado que fome eu não tinha liguei às meninas da assistência, pelo menos desta vez o sistema não estava em baixo, sugiro que encontrem um novo gestor informático.
e o sr do taxi chegou mesmo quando acabamos o almoço foi só ir buscar as malas e zarpar para santarém onde estava o meu popó (esse nunca me deixa ficar mal, é que eu mentalizei-o que ele é um todo terreno e ele acredita mesmo).
por incrível que pareça a viagem foi divertida, as conversas são como as cerejas e fui o caminho todo a falar e a ouvir sobre temas tão diversos como politica local, politica nacional, futebol, desportivismo, machismo, racismo, história de portugal e de lamego, sugestões turísticas, quando vier não vá só até ao pinhão, vá até ao pocinho, que é ainda mais bonito, tradições portuguesas, trás-os-montes, alentejo, o benfica, o porto, tennis, ciclismo, évora, diferenças entre o interior e o litoral, entidades que funcionam bem, outras que funcionam tão mal, os self made men deste país, as mulheres e homens de fibra de transmontanos (o professor coimbra é da galafura)... todo aquele cenário não me era desconhecido, já tinha lido nos livros dele e o tinha ouvido falar da terra dele nas aulas, com uma paixão que reconheci de imediato assim que lá cheguei, embora só hoje o sr. taxista me tivesse confirmado que era mesmo dali que ele era... não sei se já vos tinha dito mas a mulher dele chama-se teresa mota, embora não seja da minha família... sei isso porque ele o contou numa entrevista a um jornal :)
a viagem pareceu rápida, pelo menos para mim passou-se muito bem, fartei-me de aprender coisas, o senhor conhecia bem o caminho mesmo sem GPS, na chegada a santarém tive que ser mesmo eu a ensinar... é que ninguém mora na moçarria e a querida da senhora da assistência em viagem, disse que era de lamego para santarém, mas esqueceu-se de dar a morada exacta... deve ter suposto que eu conseguia indicar o caminho até à casa do meu pai... sou muito espertinha! e na chegada o senhor taxista disse "tem uma vista muito bonita"... surpreendeu-me ora vejamos ele é de trás-os montes, daquele sítio fantástico, com vistas fabulosas, terreno acidentado, a natureza e a mão do Homem ao seu melhor nível e ele delicia-se com a vista (é de facto bonita e chegamos o sol já estava a baixar que dá logo outra cor ao céu) do ribatejo!
este senhor taxista era um homem dos 7 ofícios, dado que era dono da empresa dos taxis, tinha um café, fazia parte de uma organização de desenvolvimento regional, não sei qual mas fazia, deu-me ideia que tb dava uma perninha na política local e pelo que foi dizendo era bastante inteligente, adepto fervoroso da sua região e apreciador de portugal. para mim isto é que é o verdadeiro homem do norte, carago!!! desta vez não estou a usar qualquer ponta de ironia...

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